A PRODUÇÃO DO MELODRAMA VERTICAL PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS NA GLOBO

  • Autor
  • Adilson VAZ CABRAL FILHO
  • Co-autores
  • Cintia Augustinha dos Santos Freire
  • Resumo
  •  

    O objetivo da pesquisa é verificar o novo formato das micronovelas de narrativas curtas, produzidas pela TV Globo, exclusivamente em formato vertical e distribuídas em plataformas digitais. A emissora busca acompanhar a nova cultura midiática das novelas verticais que atuam no Brasil desde a entrada do TikTok, Kwai, Reels do Instagram (REAL, 2025) e do streaming ReelShort. Esses atores inovam ao criar produtos, canais de distribuição e modelos de negócio, constituindo-se em monopólios digitais (Valente, 2019), uma nova investida, no audiovisual, da chamada economia das plataformas e de dados (Yanis Varoufakis, 2024; Bolaño; Zanghelini, 2024; Zanghelini, 2024). Diante da plataformização, trabalha-se o conceito proposto por Helmond (2019) e Poell et al. (2020)e a classificação de plataformas proposta por Srnicek (2018). Sobretudo, considerando que a ascensão dessas plataformas e do formato vertical da telenovela sedimenta mudanças culturais e mercadológicas em decorrência das Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e seu complexo conjunto de interseções. Essas mudanças incidem sobre os hábitos, práticas culturais da população, sobre as formas de produção e distribuição de conteúdos em diferentes formatos, uma infraestrutura tecnológica que permite interligar cada vez mais esses processos. Para Bolaño (1997, 2003), Bolaño et al. (2022) os fenômenos que ocorrem no contexto regido pelas plataformas digitais acontecem, porque essas tecnologias resultam da convergência entre telecomunicações, informática e comunicação e portanto do funcionamento do sistema capitalista ou da transição que o sistema capitalista vem sofrendo neste momento a partir da reestruturação produtiva, que implica também uma transição no sistema global de cultura. Ainda segundo os autores, antes das plataformas digitais havia um sistema de mediação do rádio, cinema e principalmente da televisão, que personificavam a indústria cultural. A partir das plataformas digitais, elas passaram a controlar praticamente todos os processos da vida cotidiana, de maneira que a velha indústria cultural não desaparece, mas foi integrada nesse processo maior, onde a autonomia cultural e a capacidade de ação da sociedade e do Estado vem sendo neutralizadas, num processo de colonialismo e dependência tecnológica (Couldry; Mejias, 2019; Morozov, 2018). Assim, a indústria cultural se generaliza, sendo a Internet o meio pelo qual as plataformas digitais usam como mecanismo de mediação cultural. Nesse sentido, tais atores desenvolvem novos formatos para a produção de conteúdo e tecnologias capazes de alcançar e interagir com as audiências, além de personalizar a experiência por meio de ferramentas automatizadas. No atual contexto, dos formatos de novelas verticais, a Globo investe na construção de uma nova linguagem, buscando estabelecer um padrão próprio, alinhado à sua experiência histórica em dramaturgia e conteúdos nacionais (Lopes, 2003) à lógica de consumo digital, levando a hipótese que o projeto reflete a migração das novas gerações para conteúdos digitais e interativos, em detrimento da mídia tradicional. Cenário que leva à investigação científica com os métodos qualitativo, pesquisa bibliográfica, tendo como base teórica a Economia Política da Comunicação (EPC).

  • Palavras-chave
  • TV Globo; Novelas verticais; Televisão; Economia de plataforma e de dados; Novas gerações
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 1 - Políticas de Comunicação
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